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Vamos falar sobre a vida e as sabotagens que nos colocamos ao ponto de entrarmos em pensamentos suicidas. Em qual projeção estamos nos colocando na nossa vida? Somos realmente um peso para todos? O que falta para quebrar esse padrão que está doente? Qual a importância do terapeuta nisso? Qual a importância de compreender a doença? Existe a medicação ideal? Existe o profissional ideal? Quem se responsabiliza?
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As pessoas projetam em sua vida aquilo que têm como verdade. Algumas delas por não acreditarem em si, não acreditam em mais ninguém. Sempre há um familiar, amigo, relacionamento onde há um culpado. Afinal, esse culpado existe? Identificando no paciente essa série de fatores conseguimos entender o porquê de tamanha dificuldade em compreender que o padrão mental é algo que nós mesmos estruturamos. Podemos sim mudar a realidade. Afinal o que enxergamos é construído internamente.

Como assim, Doutor? O que eu vejo o outro não vê?

Claro que vê, mas se eu olho um prédio em sua parte frontal e outra pessoa em sua parte lateral, estamos vendo a mesma coisa porém em prismas diferentes. Quem está certo? As características podem ser parecidas, mas são iguais? Assim funciona as nossas estruturas mentais. Preparamos a nossa mente para visualizar todas as questões seja com um pano de fundo “otimista” ou “pessimista”. Somos seres polarizados, porém temos que buscar o nosso meio termo.

O risco maior está exatamente nos extremos, tanto na euforia como na melancolia. Buscar uma correção nos meus comportamentos é uma “luta” a cada minuto. Preciso estar bem para permanecer bem. O que leva uma pessoa a pensar que poderia não existir mais, pensar que poderia cometer suicídio, planejar o suicídio ou até mesmo realizar o suicídio? Pergunta difícil e sem resposta direta. É uma questão que pode envolver vários transtornos, mas que pode haver influência do seu contexto íntimo familiar.

O significado de cada situação é dado por mim, pode ter interferência do externo, mas se é construído por mim, eu posso destruí-lo a qualquer momento e entender que aquilo foi uma experiência vivida seja ela, julgada por mim, ruim ou boa. A dimensão do meu sofrimento (dor mental e espiritual) é projetada por mim também. O exemplo claro é que pessoas da mesma família podem passar pelos mesmos quadros, uma de forma resoluta e outra de forma catastrófica. “Ah, mas eu sou uma pessoa fraca”. Você é fraco ou se põe como fraco? O suicídio vem crescendo sim, não se sabe ao certo se há uma causa. Ele perdeu a cara, não há motivo exato.

Antigamente o mais comum era “Fulano tirou a própria vida porque era homossexual”, “Ciclano descobriu que perdeu a fortuna que juntou durante a vida e se matou”, “Ele(a) se matou porque tinha depressão”. Hoje temos uma gama de fatores que levam crianças, jovens, adultos e idosos a promover o suicídio. Onde fica a frustração e contrariedade nisso? De tudo tem a ver. Estamos em um mundo insano em que somos padronizados a não ser nada menos do que perfeitos. Criamos expectativas “falidas” e vazias. Não há nada de errado em sonhar alto, mas com a mente integrada que tudo tem um começo pequeno e que nesse começo muitos obstáculos vão ser colocados. Cada um deles não deve ser motivo de paralização ou interrupção e sim de compreensão e aprendizado de algo que fará você evoluir.

Somos seres livres e ilimitados, nos colocamos como presos e limitados por uma estrutura mental doentia. Mas é natural que consigamos reverter essa estrutura. A terapia medicamentosa tem um papel importante, a psicoterapia é fundamental, mas sem a responsabilidade do paciente com a doença nada poderá ser realizado.

Suicídio é assunto sério.

Não é coisa de “covarde”.

Assuma a sua doença e entre no seu tratamento. Não entre em seus próprios jogos mentais. Combata-os com AMOR.
O problema não vai acabar depois que você morrer. Isso vai gerar mais problema.

Texto de Dr. João Vicente Lobo atua na área de Cardiologia, Psiquiatria, Medicina Psicossomática e Medicina Integrativa.